domingo

As seis perfeições (Paramitas)


A Essência dos Ensinamento do Buda
Thich Nhat Hanh.

As seis Paramitas são ensinamentos do Budismo Mahayana. Paramita é uma palavra que pode ser traduzida como “perfeição” ou “realização perfeita”. O ideograma chinês para este termo significa “atravessar para a outra margem”, que é a margem da coragem, da paz e da libertação. As perfeições devem ser praticadas na nossa vida diária.
Estamos atualmente na  margem do sofrimento, da raiva e da depressão, e queremos atravessar para a margem do bem-estar. Para atravessar é preciso fazer alguma coisa, e é a isso que chamamos de perfeição. Assim, voltamos para nós mesmos, praticamos a respiração consciente e olhando nosso sofrimento, nossa raiva, nossa depressão, e sorrimos. Ao fazer isso, superamos a dor e atravessamos. Devemos praticar as “perfeições” todos os dias.
Todas as vezes que damos um passo consciente, temos a oportunidade de sair da terra da tristeza para a terra da alegria. O Reino de Deus é uma semente dentro de nós. Se soubermos plantar essa semente em um bom solo, ela se tornará uma árvore, onde os pássaros irão se refugiar. Pratiquem a travessia para a outra margem sempre que sentirem necessidade. O Buda disse: “Não fique esperando que a outra margem venha até você. Se quiser atravessar para chegar à margem da segurança, do bem-estar, da coragem e da ausência de raiva, terá que nadar ou remar. Você precisa fazer um esforço”.


Esse esforço é a prática das Seis Perfeições.
Dana paramita – Doação, generosidade, oferta.
Shila paramita – Os preceitos ou treinamentos da atenção plena.
Kshanti  paramita – Tolerância, a capacidade de acolher, suportar e transformar a dor infligida a você por seus inimigos e também pelas pessoas que o amam.
Vajra paramita – O esforço, energia, perseverança.
Dhyana paramita – A meditação.
Prajna  paramita – A sabedoria, compreensão, insight.

Praticar as seis perfeições ajuda a atingir a outra margem – a margem da liberdade, da harmonia e dos bons relacionamentos.

Dana Paramita.
A primeira prática da travessia é a perfeição da generosidade (Dana paramita). Dar significa, primeiro, oferecer alegria, felicidade e amor.Existe uma planta, muito conhecida na Ásia – um membro da família das cebolas, que fica deliciosa nas sopas, no arroz frio e nos omeletes – que a cada vez que a cortamos torna a crescer em vinte e quatro horas. E quanto mais se corta essa planta, maior e mais forte ela cresce. A planta representa Dana paramita. Não guardamos nada para nós. Apenas queremos dar. Talvez a outra pessoa se sinta feliz com isso, mas com certeza os maiores beneficiados seremos nós mesmos. Em diversas histórias sobre as vidas passadas de Buda, nós o encontramos praticando a perfeição da generosidade.
A maior dádiva que podemos dar a alguém é nossa PRESENÇA verdadeira. Um menino que conheço ouviu de seu pai: “O que você quer de aniversário?” O menino hesitou. O pai era rico e podia lhe dar o que pedisse. Mas passava tanto tempo ganhando dinheiro que quase nunca estava com a família. Por isso o menino respondeu: “Pai, eu quero você!” A mensagem era clara. Se amamos alguém, temos que ofertar nossa Presença Verdadeira a essa pessoa. Quando damos esse presente, recebemos ao mesmo tempo o presente da ALEGRIA. Aprenda a oferecer sua Presença Verdadeira através da Meditação. Inspirando conscientemente, promova a união do corpo e da mente. “Querido, estou aqui para você” é um Mantra a ser repetido quando praticar essa perfeição.
O que mais podemos oferecer? Nossa LIBERDADE. A felicidade não é possível, a menos que estejamos livres de aflições tais como o desejo, raiva, ciúme, medo ou percepções errôneas. A liberdade é uma das características do Nirvana. Alguns tipos de felicidade são realmente destrutivas para o corpo, a mente e os relacionamentos. Estar Livre de Desejos é uma prática importante. Contemple profundamente a natureza daquilo que você acha que vai lhe proporcionar felicidade e pense se, de fato, isso pode implicar sofrimento para aqueles que ama. É preciso ter certeza disso se queremos ser realmente livres. Volte-se para o Momento Presente, e desfrute das maravilhas da vida que estão disponíveis. Existem tantas coisas saudáveis capazes de nos proporcionar felicidade, como por exemplo, um lindo nascer do sol, o céu azul, montanhas, rios, e os rostos felizes das pessoas que nos cercam.
O que mais podemos oferecer? Nosso FRESCOR. “Inspirando, eu me vejo como uma flor. Expirando, eu me sinto com o frescor”. Podemos inspirar e expirar três vezes para restaurar a flor dentro de nós. “É um verdadeiro presente.”
O que mais podemos oferecer? PAZ. É maravilhoso sentar-se ao lado de alguém que esteja em Paz.  Nós nos beneficiamos com a sua Paz. “Inspirando, eu sou a água calma. Expirando, reflito as coisas como elas são”. Podemos oferecer nossa Paz e nossa lucidez para aqueles que amamos.
O que mais podemos oferecer?  ESPAÇO. A pessoa amada precisa de espaço para ser feliz. Em um arranjo de flores, cada flor precisa de espaço ao seu redor para poder irradiar sua verdadeira beleza. As pessoas são como flores. Sem espaço interno e externo elas não podem ser felizes. Não podemos comprar este tipo de presente na loja. Temos que produzi-lo através da prática. E quanto mais dermos, mais teremos. Quando a pessoa que amamos está feliz, esta felicidade retorna para nós imediatamente. Nós damos algo a essa pessoa, mas na verdade estamos dando a nós mesmos.
O que mais podemos oferecer? COMPREENSÂO. A compreensão é a flor da prática. Focalize sua atenção concentrada em um objeto, observe profundamente o objeto e você terá insight e compreensão. Ao oferecer compreensão aos outros, eles deixarão imediatamente de sofrer.
Dar é uma prática maravilhosa. O Buda disse que quando se está zangado com alguém,a ponto de tentar de tudo e ainda continuar zangado, devemos praticar a Perfeição da Generosidade. Quando estamos com raiva, nossa tendência é punir a outra pessoa. Mas ao fazer isso só aumentamos nosso sofrimento. O Buda propôs que, em vez disso, mandássemos um presente para a pessoa que é motivo de nossa raiva.
Quando estamos com muita raiva, não temos a menor vontade de sair e comprar um presente, por isso temos que preparar esse presente enquanto não estamos zangados. A seguir, quando tudo o mais falhar, devemos sair e enviar o presente para a pessoa. Constataremos, para nosso espanto, que logo estamos nos sentindo melhor. A mesma coisa é verdade no caso dos países. Você recebe aquilo que dá. Em vez de tentar punir a outra pessoa, ofereça exatamente aquilo de que a pessoa necessita. A prática da doação pode conduzir rapidamente ao bem estar.
Quando alguém nos faz sofrer, é porque essa pessoa sofre profundamente dentro de si mesma, e seu sofrimento está se esparramando do lado de fora. Essa pessoa não precisa de mais sofrimento, precisa de ajuda. Essa é a mensagem que está sendo envida. Se você conseguir entender isso, ofereça o que a pessoa precisa – alívio. Felicidade e segurança não são questões individuais. A felicidade e a segurança do outro são fundamentais para a sua felicidade e a sua segurança. Deseje o bem do outro com sinceridade, para que você também fique bem. (Metta – Bondade amorosa).
A primeira pétala da flor das perfeições é a prática da Generosidade.
Recebemos aquilo que damos, muito mais depressa do que os sinais enviados por satélite. Quer você dê sua presença, sua estabilidade, seu frescor, sua firmeza, sua liberdade ou sua compreensão, sua Dádiva fará milagres.
A Generosidade é a prática do Amor.

quarta-feira

domingo

Espaço Lakshmi - Equilíbrio integral


O Espaço Lakshmi é um lugar para você se harmonizar, para obter equilíbrio de forma integrada entre corpo, mente e espírito. Visite-nos e faça uma aula experimental.
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sexta-feira

Terapia com Florais

Terapia de Regressão

Aulas


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Aulas de Kundalini Yoga

terça-feira e quinta-feira às 8:00h

terça-feira e sexta-feira às 19:30h

Aulas de Hatha Yoga

Estamos formando turma

Ong Namo Guru Dev Namo


ONG NAMO, GURU DEV NAMO

É o Mantra que precede a prática do Kundalini Yoga, sintonizando a pessoa com o seu Ser Superior ou Mestre Interno. Este mantra sagrado abre o canal espiritual. Também  une a todos os Mestres espirituais que aperfeiçoaram esta ciência sagrada. Estabelecendo esta ligação com os Mestres do Kundalini Yoga, somos protegidos e guiados em nossa prática. A transmissão de informação e consciência aos estudantes pelos Mestres que nos precederam é chamada de Cadeia Dourada .

Ong: Energia de Criatividade Infinita em manifestação e atividade.

Namo: Saudações reverentes, humildade.

Guru: professor ou sabedoria.

Dev: Divino ou Deus.

Namo: reafirma a humildade e reverência.

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quarta-feira

Experimente...

O Poder do Agora - Trechos do Livro de Eckhart Tolle



Não há dúvidas de que precisamos da mente e do tempo, mas no momento em que eles assumem o controle de nossas vidas, surgem os problemas, o sofrimento e a mágoa.
O futuro é um agora imaginado, uma projeção da mente. Quando o futuro acontece, acontece como sendo o agora. Quando pensamos sobre o futuro, fazemos isso no agora. Obviamente o passado e o futuro não têm realidade própria, a realidade deles é “emprestada” do agora. 
Onde quer que você esteja, esteja lá por inteiro. Se você acha insuportável o seu aqui e agora e isso lhe faz infeliz, há três opções: abandone a situação, mude-a ou aceite-a totalmente. Se você deseja ter responsabilidade sobre a sua vida, deve escolher uma dessas opções e deve fazê-lo agora. Depois, arque com as conseqüências. Sem desculpas. Sem negatividade. O estresse é causado pelestar “aqui” embora se deseje estar “lá”, ou por se estar no presente desejando estar no futuro. É uma divisãoque corta a pessoa por dentro. Criar e viver com essa divisão é insano. O fato de que todas as pessoas estão agindo assim não torna ninguém menos insano.
Seu objetivo está tomando de tal modo a sua atenção que o momento presente é apenas um meio para atingir um fim? Está consumindo a alegria das coisas que você faz? Você está esperando para começar a viver? Se você desenvolver este tipo de padrão mental, não importa o que você adquira ou alcance, o presente nunca será bom o bastante. O futuro sempre parecerá melhor. Uma receita perfeita para uma insatisfação permanente, você não acha? 
Todo momento é o melhor. Isso é iluminação.
 
(Eckhart Tolle - livro “O Poder do Agora”)
   

Coragem


A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas com teologia, conceitos, palavras, teorias e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.

 O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo, mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula, ela é astuta, o coração nunca calcula nada. (OSHO)

A morte é uma ilusão



Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte, não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe. (OSHO)

O que é meditação? (OSHO)


Meditação é aventura, a maior aventura que a mente humana pode empreender.
Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada – nenhuma ação, nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer. De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte.
Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria chamada alegria.
Quando você não está fazendo absolutamente nada – corporalmente, mentalmente, em nenhum nível – quando toda a atividade cessou e você simplesmente é, apenas sendo, isso é meditação. Você não pode fazê-la, você não pode praticá-la: você tem apenas que compreendê-la.
Sempre que você encontrar tempo para apenas ser, abandone todo o fazer.
Pensar também é um fazer, concentração também é um fazer, contemplação também é um fazer. Mesmo que apenas por um único momento você fique sem fazer nada, simplesmente permanecendo no seu centro, totalmente relaxado – isso é meditação. E uma vez que você tenha descoberto o jeito, você pode permanecer nesse estado tanto tempo quanto quiser; finalmente você poderá permanecer nesse estado durante as vinte e quatro horas do dia.
Uma vez que você se tomou consciente de como seu ser pode permanecer imperturbado, então, vagarosamente, você pode começar a fazer coisas, mantendo-se alerta para que seu ser não se agite. Essa é a segunda parte da meditação – primeiro, aprender simplesmente a ser, e então aprender pequenas ações: limpar o chão, tomar um banho, mas permanecendo centrado. Então você poderá fazer coisas mais complicadas.
Por exemplo, eu estou falando com você, mas a minha meditação não é perturbada. Eu posso continuar falando, mas lá no meu centro não há nem sequer uma pequena ondulação; ele está absolutamente silencioso, completamente silencioso.
Assim, a meditação não é contra a ação. Não é que você tenha que escapar da vida. Ela simplesmente lhe ensina uma nova maneira de vida: você se toma o centro do ciclone.
A sua vida continua, continua de uma maneira muito mais intensa – com mais alegria, com mais claridade, mais visão, mais criatividade – todavia você está distanciado, apenas um observador nas colinas, simplesmente assistindo o que está acontecendo ao seu redor.
Você não é o que faz, você é o observador.
Esse é todo o segredo da meditação, você se toma o observador. O fazer continua em seu próprio nível, não há nenhum problema: cortar madeira, tirar água do poço. Você pode fazer coisas pequenas e coisas grandes; só uma coisa não é permitida, e isso significa: seu centramento não pode se perder.
Essa consciência, esse estado de observação deve permanecer absolutamente desanuviado, imperturbado.
No judaísmo há uma escola de mistério rebelde chamada hassidismo. Seu fundador, Baal Shen, foi um ser raro. No meio da noite ele estava voltando do rio – essa era sua rotina, porque no rio, à noite, tudo era absolutamente calmo e tranqüilo. E ele costumava simplesmente sentar-se lá, fazendo nada – apenas observando seu próprio eu, observando o observador. Nessa noite, quando estava voltando, ele passou pela casa de um homem rico e o vigia estava lá em pé perto da porta.
E o vigia estava intrigado, porque toda noite, exatamente àquela hora, esse homem estava voltando. Ele saiu e disse: “Desculpe-me interrompê-lo, mas não consigo mais conter a minha curiosidade. Você me persegue dia e noite, todos os dias. Qual é a sua ocupação? Por que você vai ao rio? Muitas vezes eu o segui e não há nada – você simplesmente senta-se lá, por horas, e no meio da noite você volta.”
Baal Shem disse: “Eu sei que você me seguiu muitas vezes, porque a noite é tão silenciosa, que eu posso ouvir seus passos. E eu sei que todo dia você está escondido atrás do portão. Mas não é apenas você que está curioso a meu respeito; eu também estou curioso a respeito de você.
Qual, é a sua ocupação?”
Ele disse. “Minha ocupação? Eu sou um simples vigia.”
Baal Shem disse: “Meu Deus, você me deu a palavra-chave. Esta é a minha ocupação também!”
O vigia disse: “Mas eu não compreendo. Se você é um vigia, você deveria estar vigiando alguma casa, algum palácio. O que você está vigiando lá, sentado na areia?
Baal Shem disse: “Há uma pequena diferença – você está alerta em relação a alguém do lado de fora que poderia entrar no palácio; eu simplesmente observo este observador. Quem é este observador? Este é o espaço de toda a minha vida; eu observo a mim mesmo.”
O vigia disse: “Mas essa é uma ocupação estranha. Quem é que vai lhe pagar?”
Ele disse: “É uma bênção tão grande, uma tal alegria, uma bem-aventurança tão imensa, que isso se paga a si mesmo em profundidade.
Apenas um único momento, e todos os tesouros não são nada em comparação a ele”
O vigia disse: Isso é estranho. Eu tenho estado observando durante toda a minha vida. Eu nunca me deparei com uma experiência tão bonita. Amanhã à noite eu irei com você. Você apenas me ensina. Porque eu sei como observar – parece que apenas é necessário uma direção diferente: você está observando numa direção diferente.”
Há apenas um passo, e este passo é de direção, de dimensão. Ou podemos estar focados no exterior, ou podemos fechar os olhos para o exterior e deixar toda a nossa consciência ficar centrada para dentro.- e você saberá, porque você é um conhecedor, você é consciência. Você nunca a perdeu. Você simplesmente deixou sua consciência se emaranhar em mil e uma coisas. Retire sua consciência de todos os lugares e apenas deixe-a descansar dentro de você, e você chegou em casa.
O âmago essencial, o espírito da meditação, é aprender como testemunhar.
A gralha cantando… você está ouvindo. São dois elementos: objeto e sujeito. Mas você não pode ver uma testemunha que está vendo ambos? – A gralha, o ouvinte, e ainda há alguém que está observando ambos. É um fenômeno tão simples!
Você está vendo uma árvore: você está aí, a árvore está aí, mas será que você não pode encontrar alguma coisa mais? – que você está vendo a árvore e que há uma testemunha em você que está vendo você vendo a árvore.
Observação é meditação. O que você observa é irrelevante. Você pode observar as árvores, pode observar o rio, pode observar as nuvens, pode observar as crianças brincando. Observação é meditação. O que você observa não é a questão; o objeto não é a questão.
A qualidade da observação, a qualidade de estar consciente, alerta – é isso o que é meditação.
Lembre-se de uma coisa: meditação significa consciência. O que quer que você faça com consciência é meditação. A ação não é a questão, mas a qualidade que você traz para a ação. O caminhar pode ser uma meditação, se você caminha alerta. Sentar-se pode ser uma meditação, se você senta-se alerta. Ouvir os pássaros pode ser uma meditação, se você ouve com consciência. Simplesmente ouvir o barulho interior da sua mente pode ser uma meditação, se você permanece alerta e observador.
A questão toda se resume em não mover-se adormecido. Então o que quer que você faça é meditação.
O primeiro passo para a consciência é tomar-se muito atento ao seu corpo. Pouco a pouco, a pessoa vai se tomando alerta para cada gesto, cada movimento. E, à medida que você vai se tomando consciente, um milagre começa a acontecer: muitas coisas que você costumava fazer antes, simplesmente desaparecem; seu corpo se torna mais relaxado, seu corpo se torna mais harmonizado. Uma paz profunda começa a prevalecer até mesmo no seu corpo, uma música sutil pulsa em seu corpo.
Então, comece a se tomar consciente de seus pensamentos; o mesmo tem que ser feito com os pensamentos. Eles são mais sutis do que o corpo e, naturalmente, mais perigosos também. E quando você se toma consciente de seus pensamentos, você fica surpreso com o que se passa dentro de você.
Se você anotar o que quer que passe em sua mente em qualquer momento, você nem pode imaginar que grande surpresa o espera. Você não acreditará que tudo isso está se passando dentro de você.
E depois de dez minutos leia – você verá a mente louca que existe dentro de você! Porque você não está alerta, toda esta loucura continua movendo-se como uma corrente subterrânea. Ela afeta o que quer que você esteja fazendo, afeta o que quer que você não esteja fazendo; afeta tudo. E a soma total vai ser a sua vida!. Assim sendo, esse homem louco tem que ser transformado. E o milagre da consciência é que você não precisa fazer nada exceto apenas tomar-se alerta.
O próprio fenômeno de observar a mente, a transforma. Pouco a pouco o homem louco desaparece, pouco a pouco os pensamentos começam a cair em um certo padrão; seu caos não existe mais, eles se tomam mais como um cosmo. E então, novamente, prevalece uma profunda paz. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, você verá que eles estão sintonizados um com o outro, há uma ponte. Agora eles não se movem em direções diferentes, eles não estão galopando em cavalos diferentes.
Pela primeira vez há acordo, e esse acordo ajuda tremendamente a trabalhar o terceiro passo que é tomar-se consciente dos seus sentimentos, emoções, humores.
Esta é a camada mais sutil e a mais difícil, mas se você pode estar consciente dos pensamentos, então basta apenas mais um passo. Uma consciência um pouco mais intensa é necessária e você começa a refletir seus humores, suas emoções, seus sentimentos. Uma vez que você ganhou consciência em todos esses três passos, eles se juntam todos em um fenômeno. E quando todos esses três são um – funcionando juntos perfeitamente, zunindo juntos, você pode sentir a música de todos os três; eles se tomam uma orquestra – então o quarto, aquilo que você não pode fazer, acontece. Acontece por sua própria conta. E um presente do todo, é uma recompensa para aqueles que passaram por estes três.
E o quarto é a consciência definitiva, que o toma a pessoa acordada. Ela toma-se consciente da própria consciência – este é o quarto. Este cria um buda, o acordado. E somente neste acordar é que se vem a conhecer o que é o êxtase.
O corpo conhece o prazer, a mente conhece a felicidade, o coração conhece a alegria, o quarto conhece o êxtase. O êxtase é o objetivo do sannyas, de se tomar um buscador, e a consciência é o caminho para ele.
A coisa importante é que você seja observador, que você não tenha se esquecido de observar que você está observando … observando …. observando. E pouco a pouco, à medida que o observador se toma mais e mais sólido, estável, seguro, uma transformação acontece. As coisas que você esteve observando desaparecem.
Pela primeira vez, o próprio vigia se toma o vigiado, o próprio observador se toma o observado. Você chegou em casa.
 
Osho
(Extraído do cap. 1 do livro Meditação, a Primeira e Última Liberdade)

Meditando com Mandalas



Mandalas são imagens circulares usadas há milênios pelos povos orientais para expressar, através de um desenho, a experiência humana de contato com a energia divina. Nas mandalas estão expressas as relações entre o Homem e o Cosmos, entre a busca de conquistas materiais e a energia espiritual que está por trás delas. Em outras palavras, as mandalas são um caminho para se auto conhecer alinhada com Deus.

A palavra mandala vem do sânscrito e significa "círculo mágico". Entre os povos orientais, atribui-se às mandalas a característica de representar graficamente o ritmo, movimento e harmonia que regem todo o Universo, a natureza e o próprio ser humano.

Para os hindus, a mandala é a reprodução da mente humana equilibrada. Por esta razão, meditar corretamente, olhando para uma mandala, pode reordenar os processos mentais, trazendo paz e soluções para conflitos sobre os quais nem mesmo conseguimos ter consciência. Ou seja, mesmo sem que você saiba exatamente o que causa uma determinada perturbação em sua vida, a meditação com mandalas pode acabar com o problema.

Dicas para meditar com mandalas:

1. Escolha a sua mandala - aquela que mais te fascina - e observe-a bem, pensando naquilo que está buscando: foco, concentração, criatividade, abundância, fertilidade, saúde, amorosidade, serenidade, etc.

2. Procure sentar numa posição confortável com a coluna ereta, colocando a mandala diante de seu rosto pendurada na parede. O centro da mandala deverá estar à altura dos olhos, numa distância semelhante à extensão de seu braço.

3. Focalize toda sua atenção no centro da mandala. Não tencione os olhos que deverão permanecer repousados no centro da mandala durante todo o exercício. Procure aos poucos esvaziar sua cabeça, deixando a mandala agir em você através do movimento que lhe é inerente. A idéia é chegar a preencher toda a sua mente com a imagem da mandala. Ela será reconstruída dentro de você.

4. Não queira controlar seus movimentos. Respire profundamente e bem devagar permanecendo relaxado todo o tempo. Seus olhos poderão ficar pesados, lacrimejar ou arder. Permita que isso aconteça. Deixe a mandala limpar, desobstruir e energizar seus olhos físicos e seus componentes etéricos. Fixe sempre o olhar no centro do desenho. Perceba os detalhes captados pela visão periférica, sinta sua vibração, mas não desligue do centro.

5. Procure piscar o mínimo possível e quando o fizer, que seja suavemente e com total atenção. Não faça apreciação ou juízo crítico. Não deixe a sua mente interferir no processo. Apenas observe o que está acontecendo dentro e fora de você.

6. Perceba que, quando sua mente se aquieta, você gasta menos energia com o pensamento, e, como não existe vácuo no universo, outra função assume essa energia. É hora de funcionar a intuição, o autoconhecimento, a clarividência e a clariaudiência. Começam a emergir interiormente potenciais normalmente submersos do seu ser.

7. Mergulhe na mandala por 15 minutos. É opcional o uso de música ou qualquer outro estímulo auditivo. Durante todo o exercício é vital a atenção na respiração, que poderá ter variantes de acordo com o que se quer atingir.

8. Quanto mais imóvel você conseguir ficar, mais a mandala penetrará em você, harmonizando seu campo de energia e os chacras.

9. No final, feche os olhos, esquente as mãos e coloque sobre eles, relaxando-os.

10. Não deite logo em seguida. Permaneça por mais 15 minutos sentado, observando o que está acontecendo internamente com você. Essa observação é o objetivo de toda e qualquer técnica meditativa. Fique em silêncio, de olhos fechados e coluna ereta.

11. Após este período, se quiser, deite.

12. Esta meditação não deve ser feita antes de dormir ou logo após as refeições.
 
texto - Conceição Trucom -  química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para o bem-estar e qualidade de vida.